Se por trás da Web há pessoas que a constroem, nada mais natural que a sua evolução passe a atender a evolução das necessidades dos seres humanos. Em minha opinião, a evolução da Web se caracteriza pelas seguintes necessidades humanas:
Web 0.1
Diria que é a Web nos anos 90, quando o Mosaico criado por Marc Andressen teve a ambiciosa tarefa de colocar as informações à disposição do maior público possível. Antes do Mosaico a Web era somente acessível por comandos não triviais aos usuários finais. Na evolução dos navegadores, veio em seguida a criação do Netscape, que, diga-se de passagem, foi descontinuado pela AOL em 1º março deste ano. É o fim de uma era do legendário navegador.
Web 1.0
Na Web tradicional, também conhecida como Web 1.0, a maioria das empresas a enxergava apenas como mais uma mídia. Ninguém, em sua época inicial, poderia imaginar o quanto ela poderia fazer para os seus negócios e usuários. Neste momento, ou você escrevia, caso fosse o editor do site, ou lia, como a extrema maioria das pessoas. Não existia uma conexão entre o editores e os leitores, a menos que os primeiros informassem seus e-mails, telefones ou mesmo seus endereços físicos. Esta é a fase Ready-Only.
As páginas são como um catálogo on-line ou apenas um cartão de visitas (hoje este tipo de site, infelizmente, é o mais encontrado na Web). Neste momento, sentimos falta da interação humana e interoperabilidade. Foi quando vieram à tona questões como os Padrões Web, usabilidade, acessibilidade, AI e outras ciências que poderiam trazer uma experiência mais rica aos usuários.
Web 2.0 – A nova fase
Chegamos então à fase chamada Web 2.0, que não tem características muito bem definidas. Uma delas, entretanto, é bem conhecida de todos: a interatividade. Agora, leitores e editores podem escrever no mesmo espaço, criando uma comunicação social e colaborativa. Desta forma, o interesse dos leitores em participar da Web acaba naturalmente aumentando.
Cada vez mais queremos aumentar nossa presença nas redes sociais. Veja o sucesso do Facebook, Orkut, Blog, Wiki, YouTube, Digg, Del.icio.us, XML, RSS, VCARD etc. Hoje o usuário pode ser DJ (podcast.net, iTunes, Podsafe), publicador (Blogger, WordPress, TypePad), especialista em uma área de conhecimento (Wikipédia), gerador de conteúdo broadcaster (YouTube), editor (Digg), fazer parte de uma comunidade (Facebook, Orkut) ou mesmo dar uma de jornalista (G1 – Vc no G1). É a fase conhecida como Ready-Write.
Uma outra característica é o uso de APIs, apontadas pelas empresas como a tecnologia que mais será empregada em 2008. Existem diversas aplicações comerciais utilizando-se de Mashups. Algumas APIs populares, como as da Amazon, Google e Flickr, são cada vez mais utilizadas em projetos na Web. O W3C possui, por exemplo, um grupo de estudo sobre APIs, o Web API Working Group. Existem também outras formas de interação, como o AJAX.
Gostaria que já pudéssemos classificar esta fase como sendo de uma maior aplicação dos Padrões Web, que hoje estão sendo adotados de uma forma ainda tímida e encontrados somente em projetos desenvolvidos por empresas e profissionais que perceberam a sua relevância e diferencial. Apesar de membro do W3C há cinco anos, divulgando os padrões em empresas e palestras por todo o Brasil, ainda me deparo com profissionais que têm resistência à adoção dos Padrões Web, oriunda principalmente de total desconhecimento do assunto.
Com a estimativa de 40 bilhões de páginas, é muito comum encontrarmos códigos ultrapassados, com a falta de aplicação dos Padrões Web (semântica no (X)HTML, CSS, Metadados, Acessibilidade etc) e também de Arquitetura da Informação e Usabilidade. Não podemos cobrar isso dos sistemas legados, mas espero que cada dia mais os profissionais entendam a sua importância e passem a se preocupar com esta forma correta de criar a Web.
Web 3.0 – A próxima fase
Não sabemos quais as características da 3ª fase da Web, mas uma delas acreditamos fortemente que seja a Web Semântica. Ela não se limitará ao espaço da Web como conhecemos hoje. As solicitações poderão ativar máquinas com processamento semântico ou espaço semântico ativo (ASpaces), podendo conectar-se com agentes virtuais criados por pessoas, facilitando significativamente a exploração dos recursos virtuais. A implementação de ontologias com o uso de tecnologias como RDF e Microformatos, entre outros, e requisições via SPARQL e XQuery poderão concretizar no futuro a Web 3.0. Até então, a utilização de linguagens naturais era somente compreendida pelos seres humanos e não por máquinas, que poderão no futuro ler, interpretar, processar e classificar essas informações segundo uma taxonomia por assuntos.
Para Sir Tim Berners-Lee, a Web Semântica estará presente em um futuro próximo. Alguns protótipos já foram desenvolvidos pelo W3C. Segundo definição de Berners-Lee, Hendler e Lassila, a Web Semântica é uma extensão da Web atual, na qual é dada à informação um significado bem definido, permitindo que computadores e pessoas trabalhem em cooperação. Esta fase também é conhecida como Ready-Write-Request.
Artigo escrito a partir da entrevista ao Jornal O Globo – Caderno de Informática.